A cidade de Cajazeiras vive um
momento de mobilização em defesa de sua histórica vocação educacional, um traço
que atravessa gerações desde os tempos do Padre Rolim e que rendeu ao município
o reconhecimento de “cidade que ensinou a Paraíba a ler”. Mais uma vez, o
debate público gira em torno da educação como eixo central do desenvolvimento
regional.
No centro da discussão está a
atuação do deputado federal Hugo Motta, representante político de Patos, cuja
trajetória nacional é reconhecida inclusive por lideranças do Sertão. Em
pronunciamento feito na sessão desta terça-feira (10), na tribuna da Assembleia Legislativa
da Paraíba (ALPB), que inclusive foi presidida por ele, o deputado estadual Júnior Araújo (PSB) afirmou que, embora
seja natural que o parlamentar defenda interesses de sua base eleitoral, cresce
em Cajazeiras a avaliação de que decisões estratégicas não devem ignorar a
tradição educacional consolidada do município.
Júnior Araújo acrescentou que há
mais de 15 anos, Cajazeiras levanta a bandeira da expansão do ensino superior
no interior, com a defesa da criação da Universidade Federal do Sertão. Nesse
processo, é reconhecida a importância da atuação política que resultou na
criação do Instituto Federal da Paraíba (IFPB). No entanto, ressalta que o
campus de Cajazeiras se destaca pela estrutura robusta e pela relevância
regional, fruto de um projeto idealizado ainda na época do ex-deputado federal
Edme Tavares.
O parlamentar prosseguiu dizendo
que, embora existam campi do Instituto Federal em cidades como Patos, Sousa,
Princesa Isabel, Itaporanga, Catingueira e Santa Luzia, além de novas unidades
em planejamento, o de Cajazeiras é frequentemente apontado como referência em
infraestrutura e capacidade acadêmica. “É nesse contexto que causa preocupação
a possibilidade de transferência da reitoria do IFPB para Patos, medida vista
por muitos como um esvaziamento institucional de Cajazeiras”, afirma Júnior
Araújo.
Ele deixou claro que o movimento
que se forma no município não se coloca contra Patos, mas reivindica equilíbrio
no desenvolvimento do Sertão e respeito à trajetória educacional cajazeirense.
“A defesa é para que recursos e estruturas não sejam deslocados de uma cidade
cuja identidade histórica está profundamente ligada à educação”, destaca Júnior.
O deputado ressalta que a
mobilização convoca não apenas os cajazeirenses, mas também lideranças
políticas, entidades de classe e a sociedade civil organizada de toda a região, e apela para que a sensibilidade política prevaleça e que decisões sejam tomadas
com base no interesse coletivo do Sertão paraibano.
Conforme Júnio Araújo, o episódio
remete a outras lutas já enfrentadas pela cidade, como a mobilização que
garantiu a implantação do curso de Medicina, hoje reconhecido entre os mais bem
avaliados da Paraíba e do país. “Trata-se menos de uma disputa política e mais
da continuidade de um legado que fez de Cajazeiras um símbolo da educação no
interior nordestino”, finalizou o deputado.
Ouça o pronunciamento:
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