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20 março 2026

Perícia não identifica ‘sinais clássicos de intoxicação’ no corpo da mulher que morreu após comer pizza em Pombal


A perícia realizada no corpo da mulher que morreu após consumir pizza em uma pizzaria de Pombal não apontou sinais clássicos de intoxicação. A informação integra a atualização mais recente do caso e foi confirmada pelo Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol), responsável pela perícia.

 

Segundo o diretor do Numol de Cajazeiras, Luis Rustenis, a análise inicial não identificou alterações normalmente associadas a quadros de intoxicação, o que levou à solicitação de exames complementares para aprofundar a apuração.

 

“Durante a necropsia, não foi evidenciado sinal clássico de intoxicação. Solicitamos exames toxicológicos e fizemos a coleta de material biológico para pesquisa de substâncias exógenas que possam ter relação com esse caso. Se foi ingerida alguma substância, muito provavelmente deve aparecer no exame toxicológico”, afirmou.

 

De acordo com o perito Luiz Rustenes, os sinais clássicos de uma intoxicação alimentar podem variar conforme a quantidade de comida ingerida. Durante o exame, a perícia observou, inicialmente, os sinais macroscópicos, isto é, os sinais visíveis.

 

Os sinais clássicos, que não foram detectados no exame, conforme explica o perito, seriam edemas cerebrais, congestões meníngeas na região cerebral, edemas pulmonares intensos, deixando o pulmão mais espumoso, e hemorragias teciduais e difusas, que podem ocorrer no pulmão e coração, por exemplo. Além disso, em casos de intoxicação alimentar, o perito explica que é comum observar um forte odor, o que também não foi percebido.

 

O próximo passo é o resultado do exame toxicológico, que vai identificar marcas microscópicas, isto é, sinais que não estão visíveis durante a perícia. Esse exame pode concluir se houve ou não a presença de uma substância exógena na comida.

 

É a partir dessa possibilidade que o perito Luiz Rustenes explica que há uma diferença entre a intoxicação alimentar e a intoxicação exógena. A primeira apresenta sintomas decorrentes da ingestão de alguma comida mal processada ou com problemas de armazenamento e manuseio. Já a intoxicação exógena indica que alguma substância externa pode ter provocado a intoxicação.

 

O resultado do exame toxicológico é determinante para identificar o que ocorreu. Segundo Rustenes, o Código de Processo Penal estabelece prazo de até 10 dias para a emissão dos laudos, mas esse período pode ser ampliado diante da demanda.

 

A expectativa é que os resultados sejam concluídos em até 30 dias. Com a finalização do exame toxicológico e do laudo da necropsia, o trabalho pericial deve ser encaminhado à Polícia Civil da Paraíba. Segundo o diretor, o material tende a ser conclusivo para a investigação.

  

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