A operação da Polícia Federal
contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), acendeu, nessa
quinta-feira (18/6), um alerta entre integrantes da campanha à reeleição do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Aliados do petista temem que a
ação sirva de combustível para desgastar a imagem do governo e anule um dos
principais trunfos da comunicação de Lula: a associação do senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), provável adversário na disputa ao Planalto, a suspeitas
envolvendo o Banco Master.
Uma ala do governo defende que
seja adotada uma postura de distanciamento institucional em relação a Jaques
Wagner, sem abandoná-lo, e reforçando a defesa do devido processo legal, o
aprofundamento das investigações e o direito do senador de apresentar sua
defesa.
Reservadamente, membros da
campanha de Lula avaliam, porém, que a operação reacende o “fantasma do Master”
no núcleo petista. Aliados do petista usavam o caso para desgastar Flávio
Bolsonaro, após a revelação de áudios em que o filho mais velho do ex-presidente
Jair Bolsonaro pedia dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar um filme em
homenagem ao pai.
A avaliação de coordenadores da
disputa à reeleição de Lula é de que as peças publicitárias contra a família
Bolsonaro perderam força, e que ofensivas semelhantes passarão a ser utilizadas
pelo senador fluminense. Dois dirigentes ouvidos pelo Metrópoles afirmam,
contudo, que ainda é preciso avaliar o impacto da operação e manter a
estratégia de desgaste contra Flávio.
O temor do desgaste é reforçado
pela proximidade entre Jaques Wagner e Lula e o peso histórico do senador
baiano na legenda. Um dos fundadores do PT, ele é considerado um dos aliados
mais influentes do presidente e uma das poucas lideranças com liberdade para
confrontá-lo nos bastidores.
Ex-governador da Bahia por dois
mandatos, o senador é pré-candidato à reeleição neste ano. Há quem avalie que a
candidatura de Jaques deve sofrer impactos após a ação da PF.
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